Dicas e Serviços
Escolas e faculdades selecionam professores antes de iniciar o ano letivo
Manoela Alcântara - Correio Braziliense
25/01/2010 12:12
O governo local também vai reforçar os quadros. Em fevereiro, deve sair um concurso com 500 vagas
| Leonardo Arruda/Esp. CB/D.A Press |
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| O economista Roberto de Souza foi contratado em julho, quando a oferta de vagas também é grande na cidade |
A abertura de vagas é notória nos classificados dos jornais. Basta ler as oportunidades de emprego para encontrar estampado, em letras garrafais, o anúncio: “contrata-se professor”. Antes do início do ano letivo, escolas de ensino superior, médio e fundamental procuram profissionais para compor o corpo docente. Particulares ou públicas, a regra é a mesma: janeiro é mês de contratação. As instituições que funcionam com verba do governo local devem receber um reforço de 270 profissionais até o início das aulas, previsto para 10 de fevereiro.
De acordo com a secretária de Educação do Distrito Federal, Eunice Santos Ferreira, essas vagas destinam-se aos professores aprovados nos concursos públicos realizados em 2008 e 2009. “A Secretaria de Educação propôs ao governador a convocação desses profissionais. O secretário de Planejamento já aprovou e estamos aguardando a resposta final”, afirma. A jornada dos convocados será iniciada de imediato nas disciplinas de inglês, espanhol, matemática, educação física e artes.
Em 15 de fevereiro, surgirão mais novidades no setor. Até lá, um edital prevendo 500 vagas para docentes será lançado. Dessa vez, as oportunidades serão preferencialmente para as áreas de educação infantil e ensino fundamental. Mas também haverá oportunidades para professores de física, história, geografia, química, sociologia, matemática, entre outros. “É o que está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano. O edital está pronto e em análise da Procuradoria Jurídica do DF”, relata Eunice Santos.
Os salários da secretaria variam entre R$ 726,75 e R$ 3.923,98. Os valores modificam de acordo com a quantidade de horas semanais (20h ou 40h) trabalhadas. Além disso, há 1% de gratificação de anuênio, auxílio-alimentação de R$ 198 e 50% de gratificação por dedicação exclusiva.
Setor privado
Nas escolas particulares, a procura não é diferente. O Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), por exemplo, já está com o processo de seleção aberto. A intenção é contratar 70 professores para ministrarem aulas em diversos cursos. A meta é suprir a necessidade dos câmpus do Plano Piloto e formar o corpo docente para a unidade de Ceilândia.
Mesmo com a abertura de uma nova estrutura, o diretor acadêmico do Iesb, professor Fernando Jacó Anderle, conta que a prática é normal nas trocas de semestre. “Em julho, contratamos em média 60 professores. Nesses períodos (janeiro e julho), sempre há uma rotatividade normal nas escolas de nível superior. Existe aquele professor que pede demissão, o que é demitido, os que se aposentam. Todos acabam sendo contratados nessa época”, conta.
Já a União Educacional de Brasília (Uneb) terá outros motivos para aumentar seu quadro. Serão abertos três novos cursos: gestão imobiliária, jornalismo esportivo e negócios no esporte, e gestão estratégica do turismo e hospitalidade. “Analisamos uma necessidade do mercado e contrataremos 28 professores. Esses cursos são importantes para o novo momento imobiliário que Brasília vive e para a preparação de profissionais competentes para a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, analisa o diretor da instituição, Pedro Ivo Hermida.
No ano passado, a instituição de ensino percebeu que o curso de gestão empresarial seria a oportunidade do momento, o que possibilitou a contratação de novos profissionais para o setor. Roberto de Souza Monteiro, 48 anos, foi um deles. Formado em economia e dono de três MBAs, ele foi convidado para lecionar lá. “Nessas épocas, sempre surgem oportunidades. Eu já havia trabalhado com o coordenador da Uneb em outra ocasião, quando surgiu a vaga, ele me chamou. Lecionei as disciplinas de macro e microeconomia em gestão empresarial e, hoje, continuo dando aulas sobre o mesmo seguimento”, conta.
Para chegar ao cargo de professor universitário, é preciso preencher alguns requisitos. Por regulamentação do Ministério da Educação (MEC), as faculdades e universidades devem ter, em seu quadro de docentes dos cursos de graduação, 70% de mestres e doutores. Nos cursos de especialização, 50% dos profissionais devem ter essas formações. Mas o mercado de educação superior também analisa a vivência do profissional ao escolhê-lo para determinada disciplina. Segundo Fernando Jacó Anderle, não há como pensar em um professor de gastronomia sem que ele conheça os segredos da culinária.
“Alguns cursos exigem especialistas; outros, uma formação acadêmica. Existem vagas abertas para diversas formações e especialidades”, ressalta o diretor. As exigências para preencher as vagas muitas vezes correspondem aos salários pagos. Na Uneb, um professor pode receber de R$ 1.520 a R$ 7 mil, dependendo da carga horária e da sua formação.
Espanhol obrigatório
A língua espanhola é uma das grandes apostas de contratação de professores no governo local. A Lei federal nº 11.161, sancionada pelo presidente da República, estabelece que, até agosto deste ano, todas as escolas públicas e particulares do país devem disponibilizar o ensino da lingua estrangeira. “Além daqueles que já fizeram o concurso para ministrar aulas de espanhol, vamos procurar, no banco de dados, professores que têm formação em português com habilitação para espanhol”, explica Eunice Santos, secretária de Educação.
Essa será uma forma de suprir a carência de professores de espanhol existente na rede. Outra possibilidade é intensificar o trabalho que já vem sendo realizado pelos centro interescolares de línguas. “Nós já temos experiência em ministrar a língua espanhola porque o CIL já oferta isso. Alguns estudantes do ensino público já fazem aula lá. Vamos tentar transferir para o centro os alunos das escolas que não tiverem equipes de professores”, ressalta a secretária.
Das 500 vagas do novo concurso a ser realizado pela Secretaria de Educação do DF, estarão inclusas as de professores de espanhol. A intenção é que algumas escolas iniciem as aulas da disciplina no primeiro dia do ano letivo. Outras terão que esperar até julho ou agosto para ter os professores inseridos no quadro. Também existe a possibilidade de convocação de professores temporários aprovados na seleção de 2008. No DF, cerca de 6 mil profissionais compõem esse banco de substitutos.
Por todo o país
» A temporada de contratações de professores também é grande no resto do país. Estão abertas oportunidades nas redes púbicas de ensino de vários estados. Em São Paulo, por exemplo, há 10.083 vagas de docentes de educação básica II. Os salários variam de R$ 454,66 a R$ 1.515,33. Em Rondônia, as 2.568 oportunidades na rede pública de ensino são para nível superior, com remuneração de R$ 1.433,25. O Piauí já divulgou edital para formação de cadastro reserva para professor substituto. Universidades federais e estaduais de vários pontos do país também estão à procura de professores (confira detalhes no Guia de concursos, nas páginas 5 e 6).