Antonieta Rossi
Convivendo com TDAH e compulsões enquanto profissional
Antonieta Rossi - Especial para o Admite-se
18/12/2009 10:37
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| As pessoas colocam oda a responsabilidade pelos seus fracassos profissionais no perfil psicológico |
Muito em voga na literatura sobre as psicopatologias, colocando acessíveis os conhecimentos sobre várias patologias como déficits de atenção, pessoas sistemáticas, obcessivas ou compulsivas. Esses temas, colocados em linguagens de mais fácil compreensão, facilitam com que enquadremos nosso perfil psicológico dentro de algum quadro e, é difícil hoje, não encontrarmos uma pessoa que não se rotule de alguma coisa e, ainda por cima, não use medicamentos antidepressivos ou similares.
Entretanto, tenho atendido algumas pessoas que colocam toda a responsabilidade pelos seus fracassos profissionais em tais quadros.
Além de se automedicarem inadivertidamente, deixam de lado a disciplina, o esforço, o desenvolvimento das habilidades para lidarem com fracassos naturais da vida profissional, para se esquivarem atrás de transtornos de toda natureza.
É claro que contamos com profissionais da área de saúde muito conscientes e conhecedores do assunto, que são capazes de diagnosticar e encaminhar seus clientes para tratamentos altamente eficazes, quando necessário.
Porém, tenho clientes que por má orientação, se escondem atrás de suas mazelas (que no fundo são outras) para não assumirem suas profissões. Tenho por exemplo, um cliente que mal diagnosticado com TDAH já passou por mil psicólogos, psiquiatras, terapias cognitivas e, como desculpa para a falta de foco, se prontifica a levar até o vizinho para ‘desencravar a unha’. Arrumam desculpas para tudo como forma de não se ocuparem daquilo que é realmente importante.
Minha orientação é que as pessoas realmente procurem um profissional capacitado, se informem sobre o assunto, saibam separar o que é um problema emocional de uma falha cognitiva.
Existe um recurso, algumas vezes utilizados pelos terapeutas de fazer um deslocamento de sintomas e transformar a compulsão em alguma coisa positiva, como por exemplo, o deslocamento para o trabalho.
Uma vez vi uma charge que dizia, agradeço muito a minha família pelo meu sucesso profissional. Se ela não fosse tão chata eu não me esconderia tanto no trabalho, não me dedicaria tanto, e provavelmente não teria o sucesso profissional que tenho. É mais ou menos este raciocínio: ao invés de beber compulsivamente, o que pode interferir na sua saúde, no seu trabalho, etc., a pessoa desloca o sintoma e pode ser vista como workaholic. Pelo menos, possui uma compulsão mais positiva, se é que existe alguma patologia positiva. Esta é uma explicação simplista, mas didática, só para compreensão.
Enfim, se você se encaixa em alguma psicopatologia, procure ajuda, informe-se sobre profissionais capacitados e competentes para orientá-lo e, não se esconda atrás de algum rótulo maluco que o impeça de avançar na sua carreira profissional.
E ai, caro leitor, o que você acha disso? Vamos trocar ideias! (antonieta@idege.com.br)
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Antonieta Rossi é psicóloga organizacional com grande know how em suporte de carreiras, programas de intraempreendedorismo, constituição de novas empresas, análise de empreendedores e sociedades, coaching de executivos de grandes empresas e assessoria em fusões de empresas. Graduada em psicologia organizacional com vários cursos nesta área, além de psicologia clínica com formação hipnoanálise, psicologia sistêmica, constelações organizacionais e familiares e pós-graduação em medicina chinesa em Pequim.