Antonieta Rossi
Repensar a carreira aos 50 anos é possível?
Antonieta Rossi - Especial para o Admite-se
10/10/2009 15:05
Leander Kahney em seu livro “A cabeça de Steve Jobs” conta que em uma de suas entrevistas a Revista Fortune, Job disse que um dos seus ídolos era o Bob Dylan, pois se recusava a parar quieto.
Nesse sentido, há casos de pessoas que alcançam o sucesso, no entanto, paralisam e não se arriscam mais e, assim, tornam-se estagnadas. Muitos artistas de sucesso congelam em algum ponto das suas carreiras, continuam fazendo o que os levou ao sucesso inicialmente, mas não evoluem. É exatamente o contrário do que faziam Dylan e Picasso, por exemplo, que sempre se arriscavam, correndo o risco ao fracasso, na opinião de Jobs. A questão é: se continuam correndo o risco de não terem mais sucesso, por que não se arriscarem ao fracasso?
Elza Soares aos 72 anos, denominada espoleta por seu namorado de 26 anos, declara a revista Veja: “Ah pelo amor de Deus, vá à luta mulherada! Façam o que tiverem vontade porque quando Papai do Céu chamar não vai dar tempo para mais nada!”
Mudança na vida é a única coisa de que temos certeza. Empregabilidade e mudanças de rota têm tudo a ver, não importa a idade.
O que tenho observado na minha prática diária, é que cada vez são mais frequentes casos de pessoas que perdem os empregos as vésperas de se aposentarem, ou aposentam-se muito jovens para passar os dias de pijama. Grande parte passou a vida profissional com a sensação de que a vida é aquilo que acontece lá fora da empresa, enquanto eu espero o dia da aposentaria chegar! E quando ele chega, ficam como “cachorro que caiu da mudança” sem rumo, paralisados sem saber o que fazer.
Carreiras são construções ao longo da vida que envolvem vitórias, fracassos, mas, sobretudo riscos! O medo do desconhecido costuma paralisar as pessoas.
Uma reinvenção tem que partir de dentro. Você não pode se dissociar dos sonhos, objetivos, ou seja, de você mesmo! Muitas vezes, uma mudança drástica de carreira esconde uma grande mudança interior.
Ouço continuamente a pergunta: não está muito tarde para querer um novo emprego, para querer empreender um novo projeto?
Cora Coralina publicou seu primeiro livro aos 75 anos, o jornalista Roberto Marinho fundou a Rede Globo aos 65 anos. O americano Ray Kroc, aos 52 anos, fundou o Mc Donald’s.
Meu pai também é um ótimo exemplo. Executivo de grandes empresas, muito bem sucedido, aposentou-se muito cedo. Ausentou-se por volta dos 50 ou 60 anos para empreender um projeto próprio. Aos 60 anos e muitos, foi convidado para novamente ocupar a Diretoria de uma grande Empresa. Não acumulou durante a vida o sobrenome fulano da empresa X. Manteve sua própria identidade. Descobriu ao longo da carreira, processos internos que se reinventaram e atualizaram as fórmulas de sucesso.
Para que isso aconteça, seguem algumas dicas:
• Converse, troque idéias, exercite novas alternativas sempre.
• Mantenha contato com headhunters.
• Não perca contato com colegas de trabalho, com quem está na ativa, network é muito importante.
• Tenha disciplina para visitar sites de emprego.
• Volte para a Universidade e/ou cursos de atualização.
• Tenha em mente um bom plano secundário, caso sonhe em ter um negócio próprio.
• Não se desconecte.
Enfim, vá a luta, não perca tempo, não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje!
Antonieta Rossi é psicóloga organizacional com grande know how em suporte de carreiras, programas de intraempreendedorismo, constituição de novas empresas, análise de empreendedores e sociedades, coaching de executivos de grandes empresas e assessoria em fusões de empresas. Graduada em psicologia organizacional com vários cursos nesta área, além de psicologia clínica com formação hipnoanálise, psicologia sistêmica, constelações organizacionais e familiares e pós-graduação em medicina chinesa em Pequim.