Antonieta Rossi
Dilema na carreira: Empreender ou a estabilidade de emprego?
Antonieta Rossi - Especial para o Admite-se
01/10/2009 10:13
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Ultimamente tenho atendido inúmeras pessoas com angustias em comum: jovens bem formados, com boa situação econômica, que não estão certos em ter um projeto profissional onde o patrocinador (investidor) é ele próprio ou ter um projeto de carreira patrocinado por uma grande empresa.
Durante muitos anos, a grande motivação de um grupo de pessoas que optava pelo próprio negócio era a falta de oportunidades no mercado de trabalho formal, já que não existiam empregos em abundancia e as exigências das empresas eram e, ainda são, muito grande. Os profissionais tinham que correr atrás da empregabilidade. Empreender era uma forma quase
obrigatória de alternativa de trabalho, já que não restava outra opção.
Fazer cursos, saber línguas, ter uma boa postura, conhecer as regras de seleção de pessoas realizada por profissionais da área são, entre outros, requisitos indispensáveis para quem pleiteia uma vaga numa grande empresa.
Hoje, com o reaquecimento da economia, grande parte dos jovens se interessa por desenvolver o próprio negócio, inclusive os recém-formados. Motivos? Climas organizacionais das empresas cada vez mais deterioradas, salários achatados e culturas de pouca inovação, com escassez de oportunidades de exercerem a criatividade. Os principais
atrativos de se tornarem empreendedores estão ligados a possibilidade de inovação e a liberdade que o trabalho como empreendedor traz. Além disto, conseguem ver a chance de dinheiro e sucesso mais rapidamente.
Cada vez mais qualificados, recém-saídos da universidade e com curta passagem por alguma grande empresa, são as características que identificam o perfil do jovem empreendedor.
Mas o que garante o sucesso? Como ter confiança para se lançar neste mar de incertezas?
Várias são as características que permeiam um perfil de empreendedor, entre elas:
• Vir de família onde trabalhar por conta própria é valorizado.
• Ter alguma experiência em alguma empresa, de preferência de maior porte, aonde existem implantadas tecnologias de, por exemplo, apuração de custos, planejamento estratégico e ERP. Estas experiências fazem com que o empreendedor tenha vivência de como uma empresa organizada funciona e lhe dá noções do que seria bom implantar dentro do seu próprio negócio.
• Saber vender o seu próprio produto.
• Não ter um perfil eminentemente técnico. Por exemplo, há tempos atrás atendi uma empreendedora com uma fábrica de chocolates, que ficou deprimida ao constatar que fazer chocolate não era o mais importante. Maior importância tinha a venda, o marketing, a formação de preço de produto, etc.
• Ter foco, fazer contas num plano de negócios formal ou não de qual será a lucratividade e em qual tempo.
• Ter um bom coeficiente de adversidade e não se abater diante de fracassos, que certamente existirão.
Mesmo que a pessoa apresente todos os requisitos, ainda é bom estar ciente que os desafios não serão pequenos.
Segundo o Instituto Internacional Global Entrepreneuship Monitor, já são 3 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos, recém diplomados, que estão à frente da própria companhia, ainda que esta opção traga grandes riscos.
Noto que, passada a primeira fase, que é vencer a dificuldade inicial de subsistência e um lucro mesmo que pequeno, estes empreendedores não trocam sua condição por nenhum convite de qualquer que seja a empresa, pois aprenderam.
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Antonieta Rossi é psicóloga organizacional com grande know how em suporte de carreiras, programas de intraempreendedorismo, constituição de novas empresas, análise de empreendedores e sociedades, coaching de executivos de grandes empresas e assessoria em fusões de empresas. Graduada em psicologia organizacional com vários cursos nesta área, além de psicologia clínica com formação hipnoanálise, psicologia sistêmica, constelações organizacionais e familiares e pós-graduação em medicina chinesa em Pequim.